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Tutorial: ganhe produtividade com dois monitores

Qua, 10 Mai - 14h18

Hollywood adora mostrar que um escritório ou sala de controle militar são tecnologicamente avançados enchendo as mesas e paredes de telas de computador. Das mesas dos técnicos da CTU, do seriado 24 Horas, às bases de lançamento de foguetes da Nasa, passando pelas salas de investidores bilionários, parece que não dá para levar a sério ninguém que esteja limitado a um único monitor. Basta dizer que o próprio Bill Gates revelou, recentemente, que trabalha com três!

Na vida real, múltiplos monitores são parte do dia-a-dia de produtores de vídeo, operadores de aplicações de renderização 3D e webdesigners mais abastados já há algum tempo. Só que, cada vez mais, vêm se tornando acessíveis até para o micreiro doméstico, que em alguns casos já pode duplicar sua área de trabalho pelo preço de um monitor comum, ganhando produtividade, nos aplicativos de escritório, e realismo, nos jogos compatíveis com múltiplas telas.

Trabalhar com mais de um monitor sem grandes investimentos em hardware especializado se tornou possível com o Windows 98. Bastava instalar uma segunda placa de vídeo – que, naquela época, precisava ser PCI, já que os micros só tinham um slot AGP, usado pelas placas gráficas melhores – que o próprio Windows ajudava a gerenciar os múltiplos monitores.

Em computadores com vídeo on-board, o melhor caminho era colocar uma placa dedicada e não desativar a integrada, ligando um monitor em cada uma – solução ainda mais popular hoje em dia, já que o vídeo on-board das placas-mãe atuais é bem melhor que o das mais antigas. Existiam também as placas “dual-head”, já com saída para dois monitores, mas era muito mais econômico usar a PCIzinha que sobrasse do upgrade para uma placa AGP.

Com o advento do barramento PCI Express, que vem substituindo o AGP como interface das placas gráficas, surgiram as placas-mãe com dois slots para vídeo – só que isso é mais para usar as duas placas em paralelo para acelerar games em uma tela só do que para usar mais de um monitor. Sem falar que, para quem não pretende jogar em duas telas, investir em duas placas PCI Express é caro e, provavelmente, desnecessário.

Algumas placas trazem segundo conector como brinde

A novidade por trás da popularização dos sistemas multimonitor não veio da mudança do AGP para o PCI Express, mas de uma transição bem mais prosaica. O conector VGA, usado em todos os cabos de monitores tradicionais, começou a ser substituído pelo DVI (Digital Video Interface), dos cabos digitais mais recomendados para as telas de LCD de gerações recentes. Ambos serão substituídos pelo UMI (Universal Media Interface) nos próximos anos, mas isso não vem ao caso agora.

Assim como muitos fabricantes de monitores LCD passaram a incluir entradas VGA e DVI em seus produtos, para que o usuário pudesse escolher a melhor opção para o seu computador, os de placas de vídeo fizeram o mesmo em alguns modelos – não todos, infelizmente, pois era mais prático incluir um adaptador VGA-DVI no kit do que acrescentar um segundo conector.
Nas placas de vídeo com conectores VGA e DVI, entretanto, é praticamente certo que poderemos usar os dois ao mesmo tempo, ligando cada um a um monitor. A desvantagem dessa abordagem é que um deles, mesmo sendo um LCD novinho, terá que ficar ligado na velha VGA de 20 anos atrás. Por outro lado, quem tem uma placa dessas só precisa do segundo monitor (e, às vezes, do exorbitantemente caro cabo DVI).

Foi exatamente isso que fizemos para ilustrar este tutorial: num micro que já rodava normalmente com uma placa Radeon 9800 Pro e um monitor BenQ de 19 polegadas conectado à porta DVI, plugamos um Samsung de 15” via cabo VGA e, sem precisar reiniciar o computador, passamos a ter um sistema dual monitor. O segundo LCD foi emprestado do outro micro da casa, mas poderia ser um CRT que estivesse encostado em algum canto, desde que houvesse espaço para ele sobre a escrivaninha.

Configuração do software é intuitiva

Agora que já conhecemos quase todas as formas de ligar dois monitores a um mesmo micro, é hora de ver como uma configuração dessas funciona na prática. Não usaremos a ferramenta integrada ao Windows porque ninguém que tenha uma placa moderna com chip ATI ou nVidia o faz – os gerenciadores embutidos nos drivers desses fabricantes assumem, com vantagens, essas funções do sistema operacional.Figura 1

Em nosso exemplo, o programa é o Catalyst Control Center, da ATI, mas poderia ser o ForceWare, caso a placa fosse nVidia. Na seção Displays Manager, além do próprio nome indicar a possibilidade de se trabalhar com mais de uma tela, logo nos deparamos com duas caixas, para o display principal (main) e secundário, e outros dois retângulos Figura 2que mostram a posição das telas 1 e 2.

Depois de plugar e ligar o segundo monitor, costuma ser preciso forçar o programa a reconhecê-lo, clicando em “Detect Displays”. Repare que ele apareceu no retângulo maior, como desativado (Figura 1). Agora é só arrastá-lo para a posição adequada, que passará a se chamar Desktop 2 (Figura 2), para que o monitor passe a ser usado e provavelmente exiba na tela o seu papel de parede padrão.Figura 3

Sua resolução será a padrão do monitor – 1.024 x 768, neste exemplo – que pode ser diferente da usada pelo monitor principal (1.280 x 1.024, no caso) sem problema algum. Se a idéia de ter um monitor menor que o outro não agradar seu senso estético, é possível até mandar girar a imagem do segundo (Figura 3), de modo que fique com a mesma altura do principal, e dar um jeito de colocar o monitor na vertical (alguns têm base giratória – outros exigirão uma solução mais criativa).

Mas por que quero dois monitores?Figura 4

A principal utilidade de se ter dois monitores ao mesmo tempo é aumentar a área de trabalho. Assim, você poderá deixar seu e-mail permanentemente aberto em uma das telas enquanto navega na Internet na outra, deixar um original a ser traduzido numa enquanto digita na outra e assim por diante. No caso de programas de edição de gráficos e vídeos, o mais comum é deixar a imagem sozinha numa tela e agrupar todas as ferramentas e controles na outra, sem interferir na visualização (Figura 4).

Tudo isso é muito simples de fazer: depois de ativar o segundo monitor, seu mouse passará de um para outro naturalmente. É só arrastar uma janela para a tela do lado e soltar. No caso de janelas maximizadas, não esqueça de clicar no botão Restaurar (aquele com duas janelinhas, que substitui o Maximizar) para que elas possam ser arrastadas. Depois que estiverem no outro monitor, basta maximizá-las novamente.

Em jogos, a graça é aumentar seu campo de visão – permitindo olhar para frente e para o painel do avião de um simulador de vôo ao mesmo tempo, por exemplo. Para eles, porém, o melhor mesmo é usar três monitores – um frontal e dois laterais, para ver tudo ao seu redor num game de corrida. Só que, neste caso, só mesmo recorrendo a uma segunda placa de vídeo ou a um acessório externo como o TripleHead 2Go, que a Matrox anunciou recentemente no mercado americano.

Em tempo: usuários de notebooks também podem ter duas telas com muita facilidade: é só plugar um monitor comum na saída VGA do portátil e seguir a mesma lógica de configuração para manter ambas as telas ativas. Ao contrário do que normalmente se faz ao plugar um projetor no notebook, no entanto, mandaremos o painel de controle exibir imagens diferentes nas duas telas.

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