A dinastia das Canon Elph (Ixus, na Europa) já foi assunto de uma de nossas colunas ao completar dez anos e já esteve representada aqui no Ponto de Teste na avaliação do modelo S500, último baseado em cartões CompactFlash, lançado há quase três anos. De lá para cá, além da migração para a memória SD (e conseqüente mudança no prefixo dos nomes dos modelos), muito pouco se viu de novidades na linha.
Há um ano, o modelo SD700 IS foi o primeiro a incorporar um
estabilizador de imagem, mas ainda faltava alguma coisa para as Digital Elph recuperarem o apelo que tiveram no passado. E isto a Canon parece ter conseguido com a SD900, que trouxe o atraente corpo de titânio de dimensões ainda mais reduzidas e uma desnecessária resolução de 10 megapixels. E a SD800IS, ligeiramente maior, combinou o estabilizador de imagem de sua antecessora a uma lente grande-angular.
O assunto deste teste é justamente esta última, também conhecida como Ixus 850 IS. A camerazinha, vendida lá fora por cerca de US$ 400, é equipada com um sensor de 7 megapixels, mais modesto e eficiente que o da SD900, mas também mais ruidoso que o da irmã mais velha SD700 IS, de apenas 6 megapixels o que acaba produzindo fotos menos detalhadas devido ao uso de um filtro de ruído. Pelo menos sua sensibilidade à luz também aumentou, chegando agora a ISO 1600.
Mas o que agrada mesmo na SD800 IS uma zoom grande-angular equivalente a 28-105mm (3,8X), com estabilizador ótico e abertura máxima F/2,8-5,8. Como já mencionamos na coluna sobre a tendência das grande-angulares em câmeras compactas e na avaliação da Lumix FX01 [[[colocar o link, por favor]]], o zoom partindo de 28mm é uma das melhores novidades de alguns lançamentos recentes. Quem experimenta, não troca por nada.
Design polêmico
O corpo de aço inoxidável da SD 800 IS chama a atenção quando a comparamos com uma câmera de plástico qualquer, mas tem menos glamour do que o revestimento cerâmico cerabrite da velha S500 ou a leveza titânica da SD900. Sem falar que o acabamento brilhante ao redor da lente e na lateral direita, bem onde seguramos a câmera, é extremamente suscetível a marcas de dedos.
Na parte superior, linhas curvas no encontro da metade frontal com a traseira e a tal área
brilhante vinda da lateral direita produzem um grafismo interessante, ainda que de gosto duvidoso. É nesta tripla interseção que fica o novo botão liga/desliga, em forma de lua crescente e iluminado por um led verde, mas, ainda assim, dificílimo de ser encontrado por quem está usando a câmera pela primeira vez.
Exceto pelo disparador e controle giratório de zoom, naturalmente situados no topo da câmera, todos os outros botões e controles estão na lateral direita da parte de trás. Aqui temos um total de oito botões, sendo cinco deles agrupados num daqueles círculos direcionais que remetem aos controles de videogames. Os outros são o de impressão, o que aciona o menu e o que alterna o modo do display.
Também na traseira da câmera, o excelente LCD de 2,5 polegadas, agora com maior definição (207 mil pixels) e contraste, passou a ser perfeitamente integrado, sem a questionável moldura preta do modelo anterior. O visor ótico, apesar de minúsculo, continua lá. Por outro lado, o seletor giratório de modo, antes embutido no corpo da câmera, voltou a ficar totalmente exposto, além de aparentar fragilidade demais para um controle que precisa ser acionado com freqüencia, para exibir as fotos capturadas.
No lado de baixo da SD800 IS, além da rosca metálica para tripé, temos o compartimento da
bateria recarregável NB-5L e do cartão de memória SD (um de pífios 16 MB acompanha a câmera, que agora suporta os velozes SDHC), protegido por uma tampinha de plástico pintado de prateado que destoa da qualidade do resto. Outra tampa igualmente ordinária oculta os conectores mini-USB e de áudio/vídeo na lateral direita.
Cérebro novo
O belo corpinho da SD800 IS esconde um cérebro igualmente privilegiado: o processador Digic III, da mais nova geração usada pela Canon. Isso se traduz em mais modos de cena pré-configurados (agora são dez, que incluem até um modo para fotos de aquários), mais efeitos especiais (como os de mudança de cor que explicamos no teste da S3-IS) e, o melhor de tudo, um ótimo modo de foco com prioridade facial.
Este recurso, visto por aqui pela primeira vez na Nikon S1, é a capacidade da câmera identificar rostos de pessoas na cena fotografada e tentar focalizar neles. Pode parecer impossível, mas funciona de verdade. Nesta Canon, bem melhor do que na Nikon chega a ser divertido ficar apontando a câmera para um lado e para o outro e ver os pares de colchetes ([ ]) seguindo as carinhas das pessoas.
O novo processador também tornou a câmera mais rápida, capaz de capturar seqüências de 1,7 quadros por segundo limitadas apenas pela capacidade do cartão, e deixou o modo de disparo automático mais flexível dá para escolher entre contagens regressivas de 10 e 2 segundos ou personalizar a contagem, até mesmo programando a câmera para capturar uma foto por hora, por exemplo.
Quando o assunto é vídeo, a camerazinha é capaz de filmar até em resolução VGA (640 x 480) a 15 ou 30 quadros por segundo, chegando a 60 quadros quando a resolução é reduzida à metade. Os filmes são gravados em formato AVI com áudio e também têm duração limitada apenas pelo capacidade do cartão. Infelizmente, durante a filmagem só se pode usar o zoom digital, de até 4X.
Com praticamente 9cm de largura, 6 de altura e 2,5 de profundidade e pesando 150g, a SD800 IS está longe de ser a menor ou mais leve da categoria, mas é suficientemente compacta para ser levada no bolso. Já com a capa de couro opcional, torna-se um pouco mais volumosa do que gostaríamos, deixando-nos num dilema entre protegê-la melhor ou ganhar portabilidade. Assim como a capa, fazem parte da lista de opcionais um fio metálico para pendurar a câmera no pescoço e a caixa-estanque para foto submarina.