Por Julio Preuss
Ao tentar responder as freqüentes perguntas sobre que câmera comprar, costumamos indagar, antes de mais nada, se o interessado prefere um modelo que caiba no bolso ou um que tenha zoom poderoso já que as duas qualidades nunca coexistiam. Até agora. Cada vez menores, as superzoom deixaram de ter, necessariamente, aspecto de câmera reflex e chegaram ao segmento das ultracompactas! Mérito das lentes asféricas!
Depois de clamar o título de menor câmera com lente de 28mm do mercado com a Lumix FX01 que experimentamos recentemente, a Panasonic partiu atrás do posto de menor zoom de 10X com a Lumiz TZ3, objeto desta
avaliação. Em tempo: dentre as câmeras que já avaliamos aqui, a Kodak V610 perde por recorrer a duas lentes de 3X para emular o zoom de 10X e a Nikon Coolpix S4, por ser bem maior.
Para começar, ela tem lente Leica DC Vario-Elmar equivalente a 28-280mm (além de tudo é grande-angular), com abertura máxima de F/3,3-4,9 e estabilizador de imagem Mega OIS. Apesar de a abertura ter diminuído um pouco em relação à antecessora TZ1, que começava em F/2,8 (mas equivalia a uma menos versátil 35-350mm), começou bem. E ainda ganhou uma cobertura automática, bem melhor que a tampa da TZ1.
O corpinho metálico com 10,5 x 5,9 x 3,7 mm e 232 gramas, disponível nas cores azul, prata e preta, o espaçoso LCD de 3 polegadas, os mais que suficientes 7,2 megapixels e a etiqueta de preço de US$ 350 lá fora, ou R$ 2 mil, nas grandes lojas virtuais aqui do Brasil, ajudam a completar o pacote, que imediatamente fez da TZ3 o sonho de consumo de entusiastas interessados em uma câmera compacta relativamente completa.
Boa variedade de modos de cena e proporções
A Lumix TZ3 usa as mesmas baterias de Li-Ion proprietárias com 3,7V e 1000mAh de outros modelos da Panasonic e consegue arrancar delas energia suficiente para umas 250 fotos. Usa cartões de memória SD, inclusive os de alta capacidade, ou MMC, mas não vem com nenhum apenas os irrisórios 12,7 MB de memória interna. Na qualidade máxima, isso dá para cerca de seis fotos! Filmar, nem pensar.
Por falar nisso, a câmera grava vídeos em três formatos: VGA (640x480), meio-VGA (320x240) e o interessante 848x480, de proporções 16:9 (widescreen), ideal para uso em DVDs. Todos podem ser
filmados em 10 ou 30 quadros por segundo e têm a duração limitada apenas pela capacidade do cartão de memória (um de 1 GB comporta pouco mais de 10 minutos em VGA). Pena que o zoom não funcione durante a filmagem.
A opção de captura em widescreen também está presente no modo de fotografia, com três opções de resolução no aspecto 3:2 (das câmeras tradicionais) e três, no 16:9 (dos filmes). Para imagens estáticas, no entanto, continuamos achando melhor fotografar na resolução máxima do sensor e aplicar
o corte panorâmico depois, se for o caso. Nada de jogar pixels fora ainda na câmera.
A TZ3 carece de ajustes manuais de foco, abertura e velocidade, mas para quem gosta de configurações pré-definidas, oferece mais de 20 scene modes, incluindo dois para bebês, um para animais de estimação e um para comida. As cores ainda podem ser ajustadas para vívidas, frias, quentes ou naturais e o balanço de branco pode ser personalizado. Também tem três modos de disparo contínuo (até 3 fotos por segundo) e contagem regressiva de 2 e 10 segundos.
Fotos que parecem impossíveis são mesmo
No mundo real, infelizmente, as limitações da câmera nos acordam do sonho. Não que seja um produto ruim, mas a tecnologia
ainda não permite que uma superzoom deste tamanho tenha o mesmo desempenho em baixa luminosidade que uma reflex digital com uma lente que, sozinha, custa o dobro do preço da TZ3. O zoom de 10X é um diferencial em relação à concorrência, mas não dá para contar com ele sempre.
Em fotos ao ar livre, em dias claros, a tele equivalente a 280mm ajuda bastante. Dentro de casa, porém, é melhor esquecer que ela existe e usar apenas o extremo wide do zoom, no qual a lente é naturalmente mais clara e tremidas são perdoáveis. Mesmo assim, sem se deixar enganar pelo excelente visor de LCD, cujo ganho de luminosidade nos leva a crer que dá capturar uma cena quando, na verdade, a foto sairá escura.
A TZ3 até consegue fotografar com pouca luz quando configurada para um ISO alto (ela chega a 1250, além de um modo de alta sensibilidade que iria até ISO 3200, mas é virtualmente inútil) ou colocada no modo intelligent ISO, que eleva a sensibilidade quando detecta movimento, a fim de aumentar também a velocidade de captura e diminuir a suscetibilidade às tremidas.
O problema, em ambos os casos, é que para combater o ruído presente em fotos com ISO elevado, a câmera emprega algoritmos de redução que comprometem seriamente o contraste e a definição das fotos. As que tiramos com pouca luz chegaram a ficar com aspecto de desenhos, de tanto detalhe que perderam. Não é um defeito da TZ3, já que as concorrentes também não fotografam direito nessas condições, mas a Panasonic novamente decepciona por dar a falsa sensação de que seria possível.