Por Julio Preuss
Até meados de junho, pouco além de seis meses após o lançamento, mais de oito milhões de consoles Wii haviam sido vendidos em todo o mundo. Mais que o dobro do número de Playstation 3 comercializados no período e apenas dois milhões de unidades a menos que o total de XBox 360, lançado um ano antes. Um sucesso tão grande que fez o valor de mercado da Nintendo superar o da Sony pela primeira vez na história ajudado pelo fato de a empresa lucrar com cada videogame vendido, enquanto os concorrentes perdem dinheiro no console para lucrar com os jogos.
Os números impressionam, mas poderiam ser bem maiores. Isso porque o Wii continua dificílimo de encontrar nas lojas, já que a Nintendo ainda não conseguiu dar conta da demanda. Obter um continua sendo questão de sorte, persistência ou disposição para pagar até duas vezes o preço de tabela, de US$ 250, no mercado paralelo, ou acitar comprá-lo junto com um monte de jogos e acessórios, já que lá não é proibido fazer venda casada. Aqui no Brasil, espere pagar pelo menos R$ 1,5 mil (cerca de US$ 750).
O Wii que avaliamos foi comprado nos Estados Unidos, graças ao serviço Wii Locator, que acompanha a disponibilidade e preço do console em diversas lojas virtuais. Ao perceber que a Amazon.com estava recebendo lotes diários do videogame que se esgotavam em menos de 15 minutos , passamos a visitar o site no horário de costume até conseguir encomendar um Wii pelos justos US$ 250 e mandar entregar na casa de um parente por lá mesmo, já que a empresa não envia o produto para o Brasil.
Tamanho não é documento
O Wii é um console pequeno: mede 15,7 x 21,5 x 4,4 cm (pouco maior que três caixas de DVD empilhadas) e pesa 1,2 kg o XBox 360 é quase quatro vezes maior e mais pesado e o PS3, cinco vezes. Ele vem com uma base para quem quiser mantê-lo na vertical, levemente inclinado para cima, e um adaptador de força que mede e pesa aproximadamente um quarto do aparelho.
Suas especificações também são bem mais modestas que as da concorrência: o processador PowerPC Broadway, da IBM, roda a 729 MHz, contra 3,2 Ghz dos rivais, e o chip gráfico ATI Hollywood, a 243 MHz, menos da metade dos concorrentes. Para completar, o videogame tem apenas 90 MB de memória, contra 512 MB dos outros modelos, e atinge a resolução máxima de 480p/576i, contra 1080p.
Já quando o assunto é conectividade, o Wii não fica devendo. Tem entrada para cartões de memória SD e duas portas USB 2.0, além de quatro desnecessários conectores para gamepads de GameCube e suporte nativo a WiFi 802.11b/g, (no XBox é um opcional de mais de US$ 100). O acesso sem fio serve tanto para jogar online e comprar games clásicos para o Virtual Console quanto para acessar canais de notícias, previsão do tempo ou a Web em geral, por meio do navegador Opera 9.
O maior mérito do Wii, entretanto, é que nada disso importa. Ao reconhecer que não podia competir com Sony e Microsoft em poder de processamento e realismo gráfico, a Nintendo optou por desenvolver um console diferente, para um público bem mais amplo, e que estimulasse a diversão em grupo estratégia refletida até no nome, uma referência a we (nós) em que as duas letras i representam pessoas jogando juntas.
Essa abordagem fica clara nos Miis, avatares infantilóides que representam os jogadores no Wii, e nos próprios jogos que a Nintendo já tinha o hábito de fazer mais infantis e menos violentos, como comentamos no teste do portátil DS mas, principalmente, nos controles do Wii. Saem de cena os gamepads tradicionais, que pouco mudaram nas últimas quatro gerações de consoles, e surge o revolucionário (não é à toa que o nome-código do Wii era Revolution) Wii Remote.
Jogar videogame deixou de ser atividade sedentária
O Wii Remote, também chamado de WiiMote, é uma mistura de controle-remoto e gamepad com botão direcional em forma de cruz e mais sete para funções diversas: Home, - e +, 1 e 2, A e B este último sob a forma de um gatilho. A grande novidade está lá dentro: giroscópios e acelerômetros permitem ao controle interpretar seus movimentos, abrindo caminho para todo tipo de interação com os jogos. Uma porta infravermelha na ponta do controle e uma barra com dois sensores posicionada junto à TV completam o sistema de posicionamento do WiiMote.
A esta altura, qualquer um que leia um teste do Wii já deve ter pelo menos ouvido falar sobre seu funcionamento, mas não custa repetir. Jogar tênis neste console não envolve apertar botões, mas segurar o WiiMote e movê-lo como se fosse uma raquete. No boliche, o controle é deslizado como se fosse a bola, liberada quando se solta o botão. Golfe ou basebol? Segure o controle de lado e gire seu taco virtual na direção da bola!
E as possibilidades não páram por aí. Os quatro jogos mencionados fazem parte do Wii Sports, o título que acompanha o
videogame e inclui ainda um joguinho de boxe. Nele, temos a primeira oportunidade de usar também o Nunchuck, um segundo controle que se conecta ao WiiMote (por um fio, desta vez), acrescentando dois botões e um joystick analógico além de mais sensores de movimento à outra mão do jogador.
Só que no boxe, assim como no tênis, os botões não servem para nada. A idéia aqui é segurar um controle em cada mão e desferir socos no ar mais intuitivo, impossível. Em outros títulos, usa-se o WiiMote como espada, revólver, volante, vara de pesca, taco de sinuca e por aí vai. Os limites são a criatividade dos programadores de jogos e a forma física dos jogadores, um elemento que pela primeira vez pode fazer diferença.
Pois é... tome cuidado para não exagerar no esforço: em nosso caso, meia dúzia de rounds e alguns sets renderam dois dias de dores musculares! Aliás, vale alertar também para o risco de atingir pessoas e objetos ao seu redor. No tênis quase acertamos raquetadas na namorada e o cachorro e há diversos relatos na Web de gente que se machucou de verdade ou, pior ainda, destruiu a TV com jogadas mais violentas!