Por Julio Preuss
Já testamos aqui, há cerca de dois anos, um pendrive da linha FlashVoyager, da Corsair, uma renomada fabricante de memórias de alto desempenho. Era um modelo de 2 GB enorme capacidade para a época e que se destacava pelo corpo emborrachado e resistente a quase tudo e pelo software que permitia criar uma partição protegida por senha no drive de bolso. Mas custava quase R$ 600 e não era mais rápido que os concorrentes, como se esperaria da Corsair.
Pois eis que recebemos um novo pendrive da marca, agora de espaçosos 8 GB e da série GT, teoricamente bem mais rápida. Será mesmo? Tomara, pois a aparência externa é praticamente igual exceto pelas letrinhas GT após a marca FlashVoyager e pelas laterais vermelhas que substituiram o acabamento verde-azulado dos modelos tradicionais para dar um ar mais esportivo ao produto. Ah, e o avanço tecnológico permitiu quadruplicar a capacidade e ainda reduzir o preço para R$ 450.
De resto, o FlashVoyager nada mudou: continua emborrachado, supostamente à prova d'água e de choques, tem dez anos de garantia e vem com uma fita para pendurar no pescoço e um cabo USB 2.0 de meio metro para quem não tiver portas USB facilmente acessíves. O mini-CD que acompanhava os modelos anteriores desapareceu, mas um outro software de segurança agora um tal de TrueCrypt, passou a vir gravado no próprio pendrive.
Velocidade máxima
Já que a principal novidade do FlashVoyager GT deve ser a velocidade, tratemos de colocá-la à prova. Mais uma vez, usando o bom e velho HD Tach, um dos mais conhecidos programas de medição de desempenho de discos rígidos e outros dispositivos de armazenamento. O melhor dele é que, por ser leve e gratuito, qualquer um pode baixar para comparar seus HDs e pendrives com os que testamos aqui.
Sem fazer mais suspense, vamos ao resultado: o GT é, de fato, muito mais rápido: obteve uma taxa de leitura média de 33,2 MB/s praticamente o dobro da atingida pelo Flash Voyager comum, de 17,0 MB/s. A velocidade de burst, 35,1 MB/s, também superou em muito os 18,7 MB/s de seu antecessor. E em relação ao tempo de acesso aleatório, onde valores menores indicam maior rapidez, o GT marcou
1,1 milissegundo quase 24 vezes menos que os 26,3 ms do outro Corsair!
Mais do que uma mera economia de tempo na hora de copiar arquivos pesados do e para o pendrive, uma maior velocidade faz toda diferença quando se pretende usar o chaveirinho para algo além de transportar documentos, fotos e vídeos de um lado para o outro. No terreno desses algo mais, duas aplicações se destacam: rodar programas direto do pendrive ou experimentar a tecnologia ReadyBoost do Windows Vista. Ambas merecem virar tema de um teste ou tutorial específico, mas vamos dar um rápido aperitivo para ajudar a entender as utilidades de um pendrive como este...
Muito mais que armazenamento portátil
Quem usa computadores diferentes com freqüência sabe como pode ser chato ter que trabalhar sem os programas a que se está acostumado, sem suas configurações personalizadas ou mesmo sem as extensões do seu navegador favorito. Uma solução cada vez mais comum para isso é ter o seu kit de sobrevivência instalado no pendrive seja por meio de uma tecnologia proprietária, como o U3, da Sandisk, da Sandisk, seja usando a opção aberta Portable Apps. Ou, se você for fã de Linux, instalar logo uma versão portátil do sistema operacional do pingüim no pendrive e rodar tudo de lá.
Se o seu problema é a lentidão do Windows Vista naquele computador com pouca memória RAM para as exigências do novo sistema operacional da Microsoft, um pendrive rápido e espaçoso também pode ajudar. Ao espetá-lo numa porta USB, o próprio Vista reconhece a capacidade/velocidade e pergunta, naquele menu do AutoPlay, se você quer usar o chaveirinho para acelerar o computador, usando a tal tecnologia R
eadyBoost.
A idéia é reservar parte da capacidade de preferência uns 2 GB para ser usada como cache de disco, guardando temporariamente os dados que não couberem na memória RAM do PC, para não ter que esperar a resposta (geralmente mais lenta) do HD. Ainda não rodamos testes capazes de medir o resultado, mas as análises disponíveis na Internet apontam para uma melhoria de performance em computadores com menos de 1 GB de RAM. A partir daí, o ReadyBoost poderia até deixar a máquina mais lenta.