Por Jason Szep
BOSTON (Reuters) - Professores particulares são um luxo que muitas famílias norte-americanas não têm condições de bancar devido aos preços entre 25 e 100 dólares por hora. Mas Denise Robinson, uma mãe da Califórnia, encontrou um professor online que cobra 2,50 dólares por hora. Detalhe: ele está na Índia.
"Isso fez grande diferença. Minha filha está obtendo literalmente as melhores notas em todas as matérias, e nunca havia conseguido isso antes", disse Robinson, que é mãe solteira e vive na cidade de Modesto.
Taylor, 13, filha de Robinson, é uma das 1,1 mil crianças norte-americanas matriculadas na TutorVista, uma empresa de Bangalore que começou a atuar nos Estados Unidos em novembro e conta com uma equipe de 150 "professores particulares eletrônicos", quase todos radicados na Índia. O serviço tem uma taxa mensal de 100 dólares oferece acesso ilimitado aos professores.
Taylor faz duas horas diárias de aula de matemática e inglês, cinco dias por semana, a um custo médio de 2,50 dólares por hora, ante os 40 dólares cobrados pelos serviços online norte-americanos de aulas particulares --como o Tutor.com, líder de mercado--, ou o preço habitual de 100 dólares por hora em caso de aulas particulares com um professor presente.
"Gosto de dizer às pessoas que as aulas particulares de minha filha custam o mesmo que uma refeição de fast food ou café no Starbuck's", afirmou Robinson.
A tendência da terceirização alimentou um boom em serviços asiáticos de atendimento telefônico a consumidores, cujos funcionários bem-educados e de salários modestos atendem telefones 24 horas por dia para servir aos clientes de bancos e outras empresas norte-americanas. Agora, o setor começa a atuar no segmento que ocupa posição central na cultura norte-americana: a educação.
O momento é difícil para o setor de educação nos Estados Unidos: apenas dois terços dos adolescentes vêm se formando nas escolas de segundo grau, proporção que se reduz a 50 por centro entre os negros e hispânicos, de acordo com estatísticas governamentais.
China e Índia, enquanto isso, vêm produzindo o maior número de formandos em ciências e engenharia --pelo menos cinco vezes mais que os EUA, onde essas categorias de formandos estão em queda desde o começo dos anos 1980.
Pais que usam escolas como a de Taylor dizem que fazem o que podem para dar vantagens aos seus filhos, para que obtenham melhores notas, acesso a melhores universidades e um futuro melhor, mesmo que as aulas sejam dadas por alguém com sotaque indiano a 15 mil quilômetros de distância.
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